Vicente Lenilson critica individualismo do atletismo atual, 15 anos após prata.

10/10/2015 09:23

Atleta foi 2º lugar olímpico dos 4x100m rasos dentro de um time que não tinha nenhum corredor realmente rápido. Técnica do bastão e foco no coletivo não se repetiria hoje.


O garoto que começou a correr aos 17 anos, patrocinado por um coveiro, de uma família muito simples e que este ano faz 15 anos que conquistou uma medalha de prata nas olimpíadas de Sidney, Vicente Lenilson relembra o momento histórico vivido em terras australianas pela equipe de revezamento 4x100 metros rasos do Brasil, quando subiu ao pódio ao lado de Édson Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino. A equipe não tinha nenhum atleta que corresse os 100m rasos abaixo de 10s, mas terminou na frente de equipes teoricamente mais rápidas por causa da passada do bastão. Algo que, segundo ele relembra ao passar nesta sexta-feira por João Pessoa, não se repete hoje em dia por causa do individualismo dos atletas brasileiros atuais.

- Muitos atletas pensam diferente hoje. É raro encontrar quatro atletas que tenham como único objetivo ser um atleta olímpico. Hoje, infelizmente, tem atleta que tem apenas o interesse de ganhar o Bolsa Atleta. A gente não. A gente queria nossa medalha olímpica e para isso trabalhamos muito em conjunto - explicou.

Em 2000, a equipe brasileira de revezamento não era nem de perto a mais veloz dentre as concorrentes. Mas ele explica que uma técnica revolucionária de passagem do bastão, criada pelo treinador Jayme Neto Júnior, fazia com que o time ganhasse tempo com relação aos rivais.

A gente treinava exaustivamente, porque sabia que a técnica poderia nos dar uma medalha que os resultados individuais somados não dariam - confessa.

Antes da prata em Sidney, o Brasil havia conquistado a medalha de bronze no revezamento 4x100, em Atlanta, em 1996, com um time formado por Arnaldo Oliveira, Róbson Caetano, Édson Ribeiro e André Domingos. Em 96 eles já usavam a técnica de Jaime, que acabou sendo aprimorada para 2000. São as únicas medalhas olímpicas do país nesta prova, e se isto não se repete, segundo Vicente, é pelo individualismo do atleta brasileiro atualmente. 

Maratoninha

Agora, Vicente Lenilson viaja o Brasil em busca de novos talentos do atletismo. No próximo domingo, ele vai estar na etapa de João Pessoa da Maratoninha, evento que vai contar com a participação de crianças de 7 a 12 anos.

- É gratificante este projeto. É motivador para as crianças. Elas vão buscar uma premiação, uma medalha, interagir com outras, conhecer pessoas. E isso acaba motivando para que elas queiram competir ainda mais nos próximos anos. Eu acredito que os garotos estão amadurecendo e, a partir de 2016, alguns resultados vão mudar - avaliou.

Chances da Paraíba

Após 20 anos de dedicação ao atletismo, Vicente Lenilson se dedica agora aos jovens. E diz que o paraibano Dyonatan Félix Honório é uma das promessas do esporte para o futuro.

- Eu não tenho mais vontade nenhuma de ser atleta. Já foram 20 anos de muita dedicação. Já me convidaram para participar de alguns eventos, mas eu prefiro ficar com as crianças que eu treino. O mundo olímpico é muito bom, mas para mim já passou. Mas nós temos o Dyonatan, de Monteiro, que já treina comigo há quatro anos. Eu meio que o adotei. Ele já foi campeão brasileiro, sul-americano, e no ano que vem vai brigar por uma vaga olímpica nessa prova de revezamento - disse.